Segurança pública, protagonismo feminino e diálogo: Delegada Raquel conduz encontro da REN Mulheres SP
A Delegada Raquel foi a convidada do último encontro da REN Mulheres SP, realizado no sábado, dia 4 de abril, no qual abordou o tema “O papel das mulheres na linha de combate: os desafios femininos na Segurança Pública”. Em uma conversa leve e direta, a palestrante compartilhou experiências de sua trajetória em uma área historicamente dominada por homens, destacando avanços, obstáculos e reflexões sobre o futuro da atuação feminina no setor.
Logo no início, a delegada contextualizou a atuação das mulheres nas forças de segurança, resgatando a criação, em 1955, do primeiro corpo de policiamento feminino no Brasil. A partir desse marco, traçou um panorama histórico até os dias atuais, evidenciando avanços, mas também as lacunas que ainda persistem. Hoje, segundo dados do IBGE (2020), as mulheres representam apenas 11% do efetivo policial no país.
Mais do que números, Raquel trouxe percepções pessoais construídas ao longo da carreira. “Embora seja uma profissão predominantemente masculina, foram figuras masculinas que muitas vezes me deram apoio”, afirmou. Ao mesmo tempo, provocou uma reflexão pouco comum nesses debates: “A resistência, em muitos casos, vem das próprias mulheres, que acabam disputando entre si os mesmos espaços, em vez de ampliar essa presença em igualdade de condições”.
A delegada também mencionou episódios de perseguição ao longo da carreira, destacando as dificuldades enfrentadas por mulheres em posições de liderança, especialmente em ambientes onde ainda há resistência ao comando feminino.
Uma proposta recorrente nos encontros da REN Mulheres SP é a roda de conversa, que abre espaço para a participação de todas. Em uma das interações, Karina Harada, do Grupo Miwa, questionou se houve aumento nos casos de feminicídio nos últimos tempos. A resposta trouxe uma análise curiosa: “Com a criação da Lei do Feminicídio, em 2015, o número de feminicídios aumentou, enquanto o de homicídios diminuiu. Antes, esses casos eram registrados apenas como homicídio”.
O debate também encontrou eco em outras áreas. A empresária Andreia Taba compartilhou experiência semelhante no setor industrial, destacando a dificuldade inicial de parte dos homens em aceitar sua liderança. Como resposta, implementou mudanças em sua empresa, ampliando a presença de mulheres, que hoje representam cerca de 40% do quadro de funcionários, atuando desde a linha de produção até áreas técnicas, como acabamento e solda.
Para além da atuação institucional, a Delegada Raquel também se destaca nas redes sociais, onde utiliza sua visibilidade para orientar e informar a população. Em seus perfis, compartilha conteúdos acessíveis sobre segurança, direitos e procedimentos, ampliando o alcance de seu trabalho e aproximando a polícia do cotidiano da sociedade civil.
Com uma trajetória marcada pela liderança e pelo reconhecimento nacional, sendo eleita diversas vezes como uma das melhores delegadas do Brasil, Raquel reúne formação acadêmica sólida, com mestrado em Filosofia e especializações na área penal, além de atuação em cargos estratégicos e institucionais.
Ao encerrar o encontro, deixou uma mensagem que sintetiza sua visão sobre fortalecimento coletivo e protagonismo feminino: “Nós mulheres, temos 50% do nosso espaço, os nossos espaços não vão deixar de existir se abrirmos portas para as outras mulheres”. O evento foi organizado pela diretora do REN Mulheres SP, Harumi Kawamoto. (Cristiane Kisihara)









