Imin no Furusato Meguri - Norte do Paraná: Comunidade nikkei tradicional e vibrante (1) Maringá - Parque com o maior jardim japonês do Brasil
A Federação das Associações de Província do Japão no Brasil (Kenren, presidente José Taniguti) promoveu a 57ª Imin no Furusato Meguri (exclusões pelos locais relacionados a imigração) durante três dias a partir de 27 de março. Cerca de 100 participantes se dividiram em três grupos e percorreram cinco cidades do norte do Paraná com profundas ligações com a imigração japonesa — Maringá, Apucarana, Londrina, Assaí e Uraí — aprofundando intercâmbios em cada local.
Às 11h do dia 27, no Aeroporto de Congonhas em São Paulo, local de concentração, a expectativa transparecia nos rostos dos participantes antes da partida. Naomi Matsumoto, que participou pela primeira vez vinda do Rio, disse com olhos brilhantes: "Li no jornal e me inscrevi porque queria muito participar". Em 1971, veio ao Brasil com a família devido à transferência do marido. Durante a estadia, a criança se afeiçoou ao Brasil e disse "Não quero voltar", o que acabou sendo o motivo para decidir pela residência permanente.
Suekichi Bunzo (88 anos, província de Oita), também participante, mostrou um sorriso gentil dizendo: "Participo desde o ano passado, mas nada me deixa mais feliz do que ver as entidades nikkeis de cada região mantendo suas atividades sólidas ao longo dos anos. Desta vez é no norte do Paraná, uma região famosa. Estou muito animado". Em 1955, aos 17 anos, foi chamado por um casal de tios sem filhos e atravessou o mar sozinho.
O grupo chegou com segurança ao aeroporto de Maringá por volta das 15h. A cidade, com uma população de cerca de 430.000 habitantes, ocupa o terceiro lugar em tamanho no estado. A origem do nome da cidade está na canção "Maringá", composta em 1931 pelo músico e médico Joubert de Carvalho.
"Maringá, ó Maringá/Volta aqui pro meu sertão" Essa canção, que expressava o desejo de um homem pelo retorno de Maria, uma jovem mulher que deixou sua cidade natal Ingá devido às dificuldades do Nordeste assolado pela seca, tocou o coração de muitos migrantes internos. A expressão "Maria do Ingá" passou a ser chamada de "Maria Ingá" pela beleza sonora, e finalmente "Maringá", estabelecendo-se como nome da canção.
Essa música nasceu quando o compositor foi solicitado a criar uma canção sobre a realidade da seca, tornando-se um sucesso nacional na década de 1930. Na década de 1940, durante o desenvolvimento do norte do Paraná, diz-se que os trabalhadores envolvidos no desmatamento e construção cantarolavam essa canção. Há também a história de que foi adotada como nome da cidade por sugestão de pessoas relacionadas à Companhia de Terras Norte do Paraná, que perceberam sua popularidade.
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O primeiro destino do grupo foi o famoso Parque do Japão de Maringá. O jardim japonês dentro do parque possui um dos maiores do país.
Como um grande projeto comemorativo do centenário da imigração japonesa no Brasil (2008), a cerimônia de fundação foi realizada em 10 de maio de 2006, e foi concluído em maio de 2014 após oito anos de trabalho. Um terreno baldio que antes era um local de processamento de lixo se transformou em um espaço de lazer para os cidadãos com cerca de 100.000 metros quadrados.
O desenvolvimento envolveu a liderança da cidade, a participação da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e cooperação financeira não reembolsável de base comunitária, com técnicos em paisagismo enviados da cidade irmã de Kakogawa, província de Hyogo, representando a cristalização da cooperação nipo-brasileira.
O parque possui ginásio, salão, trilhas para caminhada e uma casa de chá permanente, com lanternas de pedra, cercas de bambu e telhados de telha criando uma atmosfera serena. No lago, carpas nadam graciosamente, criando uma paisagem que desperta nostalgia nos japoneses. Mesmo anos após a abertura, essa paisagem encantadora continua sendo cuidadosamente preservada.
O repórter visitou esse local pela primeira vez em 18 anos desde 2008, quando a construção mal havia progredido. O que antes era apenas um terreno baldio inclinado agora se transformou em um jardim japonês chamado de "o melhor do Brasil". Fiquei surpreso com tamanha transformação.
Yoshifumi Tanaka (85 anos, província de Tottori), que participou vindo de São Gotardo, Minas Gerais, caminhando levemente pela ladeira, disse admirado: "Manter um parque deste tamanho limpo deve exigir muito trabalho e custo". Em 2016, os custos de manutenção chegavam a cerca de R$ 70.000 mensais. (Continua, repórter Masayuki Fukasawa)








