Hamamatsu: Sr. Kodama, nipo-brasileiro de 2ª geração, assume como presidente da Aliança de Intercâmbio Brasil-Japão na 100ª reunião
A Aliança de Intercâmbio Brasil-Japão, que atua como ponte entre o Japão e o Brasil com sede principalmente na cidade de Hamamatsu, província de Shizuoka, chegou a um grande marco. A associação realizou no dia 20 sua 100ª reunião comemorativa no Centro de Intercâmbio e Bem-Estar da cidade. Com a presença de cerca de 130 pessoas, foi estabelecida uma nova estrutura que simboliza a transmissão para a próxima geração.
Na cerimônia desse marco memorável, foi anunciada a aposentadoria de Shozo Takagi (84 anos), que serviu como presidente desde 2019, e a posse de Tetsuyoshi Kodama (60 anos, nissei) no cargo. Kodama é um nikkei de segunda geração nascido no Brasil e também é mestre de um dojo de caratê na cidade de Hamamatsu chamado World Bushido Karate Association Konseikai.
Tomando o microfone como novo presidente, Kodama refletiu sobre sua trajetória, dedicando-se à prevenção da delinquência juvenil nikkei e à formação saudável através do karatê desde que chegou ao Japão com 25 anos. Kodama declarou com firmeza: "Como novo presidente, embora com forças limitadas, quero dar o melhor de mim pela compreensão mútua entre o Japão e o Brasil e pela formação da próxima geração". O ex-presidente Takagi assumiu o cargo de presidente honorário e encorajou a nova estrutura, dizendo: "O papel da associação continuará sendo importante. Espero um maior desenvolvimento".
A trajetória da associação remonta ao evento comemorativo do centenário da imigração japonesa ao Brasil em 2008. Na época, membros do comitê executivo do campeonato mundial de karatê realizado em Hamamatsu se reuniram com o pensamento de "Queremos aproveitar essa conexão para melhorar as relações entre o Japão e o Brasil", e a associação foi estabelecida em 19 de fevereiro de 2009. O primeiro presidente foi Heita Kawakatu (ex-governador da província de Shizuoka), que na época era reitor da Universidade de Artes e Cultura de Shizuoka, e desde então vem continuando suas atividades com três pilares: educação, cultura e esportes.
A questão que a associação tem enfrentado por longos anos são os problemas das famílias brasileiras que decidiram viver no Japão. Para responder a dificuldades como "queremos nos integrar à sociedade japonesa pelo futuro de nossos filhos, mas não conseguimos nos adaptar ao sistema educacional", tem se concentrado na construção de um sistema de consultas e apoio aos jovens. Até agora, através de diversos projetos como competições esportivas nipo-brasileiras, concursos internacionais de karaokê e seminários sobre a economia brasileira, tem aprofundado a compreensão mútua entre os povos de ambos os países.
Na cerimônia, muitos convidados de honra também compareceram, incluindo o cônsul-geral do Brasil em Hamamatsu, Aldemo Garcia, dando brilho ao evento. A ministra das Finanças (e senadora) Satsuki Katayama também enviou uma mensagem de felicitações por escrito: "Chegaram ao grande marco da 100ª reunião. Expresso meu profundo respeito a todos que apoiaram os fortes laços entre o Japão e o Brasil".
Na segunda parte, foi realizada uma palestra comemorativa pelo professor Angelo Ishi do Departamento de Sociologia da Universidade Musashi. O professor Ishi é um nikkei de terceira geração nascido em São Paulo e é conhecido como uma autoridade em pesquisa sobre imigração. Com o tema "A trajetória, presente e futuro da comunidade brasileira no Japão", discorreu desde a história do decasségui após a revisão da Lei de Imigração de 1990 até as perspectivas de uma sociedade de convivência multicultural. O professor Ishi avaliou "os esforços da geração de pais que mudaram seu comportamento e vivem como parte da sociedade japonesa" enquanto o processo de estabelecimento permanente avança e propôs formas futuras de convivência. Os cerca de 130 participantes ouviram atentamente, e uma troca de opiniões ocorreu também na confraternização após a reunião.
A Aliança de Intercâmbio Brasil-Japão, enraizada na terra de Hamamatsu, superou inúmeras dificuldades e acumulou 100 reuniões. Com a chegada de um novo líder nissei, a caminhada em direção ao "novo futuro" do Japão e do Brasil continuará.









