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O gênio do tabuleiro busca o "paraíso" na América do Sul; O jogador de shogi Egoshi Katsunobu faz uma jogada na "aldeia global", após percorrer da Amazônia à Patagônia 《Coluna do Editor》

17/03/2026

江越克将さん visitou a redação
Katsumasa Egoshi visitando a redação

 Sob o sol escaldante da América do Sul brasileira, um japonês continua perguntando "xeque-mate". Katsumasa Egoshi, de 53 anos, natural de Marugame, província de Kagawa (linktr.ee/katsumasae). O homem que uma vez almejou se tornar um jogador profissional de shogi e conviveu com Yoshiharu Habu (9º dan), agora, longe de São Paulo, nas montanhas do sul de Santa Catarina, tenta construir uma comunidade autossuficiente chamada "Aldeia da Terra". Sua jornada é uma verdadeira "batalha desordenada", sem qualquer relação com estratégias convencionais.


 O "sonho da floresta primitiva" que não desbota há 22 anos


 O primeiro encontro do autor com Egoshi foi em 2004, em Macapá, estado do Amapá, na linha do equador. Aos 31 anos na época, conhecido como um "menino gênio do shogi", ele havia se consagrado como campeão representando o Brasil no 1º Campeonato Mundial de Shogi em 2000, sendo uma personalidade conhecida no mundo do shogi local.

 No entanto seu olhar penetrante não captava apenas vitórias no tabuleiro.

 "Meu sonho é criar uma comunidade autossuficiente no meio da floresta primitiva", falava ele com mais calor que o ar tropical úmido. Uma utopia onde comida e combustível seriam produzidos por eles mesmos, um lugar completo onde nada seria desperdiçado. Ao ouvi-lo, lembro-me de pensar que "ele sonha em ser o Isamu Yuba dos trópicos" (fundador da Fazenda Yuba).

 Passaram-se 22 longos anos desde então, seus cabelos ganharam fios brancos e o lugar mudou da Amazônia para o Sul. Mas as palavras que saem da boca dele nesse reencontro são exatamente as mesmas de antes. "Quero encontrar 'camaradas' que compartilhem a mesma vontade". Essa obsessão quase obstinada é verdadeiramente a de um competidor, senti novamente dessa vez.


 Frustração no Shoreikai e peregrinação pelo mundo


 Egoshi ingressou no Shoreikai, instituição de formação profissional de shogi, aos 10 anos. Tornou-se discípulo de Nobuo Mori (6º dan na época) e dedicou sua juventude ao tabuleiro como discípulo profissional. Embora fosse chamado de menino gênio pelos outros, ele mesmo diz friamente: "Eu era uma criança, ainda estava na época de sonhar".

 Porém, o mundo da competição era implacável. Com a ascensão da "geração Habu", que mais tarde dominaria os títulos, Egoshi se retirou no 7º kyu "sem jamais conseguir melhorar seu desempenho". Ainda assim, ter batido às portas de uma instituição de formação profissional já era prova de habilidade de nível nacional.

 Com a frustração no peito, aos 16 anos partiu em uma jornada de peregrinação pelo mundo. Duas voltas ao mundo. "O que realmente é necessário para os seres humanos viverem felizes?" Buscando a resposta para essa pergunta, em 1996, aos vinte e poucos anos, veio sozinho para o Brasil, onde não conhecia ninguém e não falava o idioma.


Egoshi quando foi entrevistado em 2004
Egoshi quando foi entrevistado em 2004

 Vida de "pelado" na Amazônia e instinto de sobrevivência


 O que o aguardava eram dias de "combate real" além da imaginação. Inicialmente se refugiou na Federação de Shogi de São Paulo, onde se falava japonês. Baseando-se no rumor de que "terra pode ser obtida quase de graça", Egoshi se dirigiu aos arredores de Belém, no Norte, por 2 anos, e depois passou 8 anos no estado do Amapá, do outro lado do rio Amazonas. Durante esse período, em 2000, participou do 1º Campeonato Mundial de Shogi realizado em Nova York como representante do Brasil e conquistou o título.

 Com esse impulso, no Amapá conseguiu literalmente uma vasta área de 100 hectares na selva. Lá viveu por um ano e meio literalmente "pelado", despido de roupas, como um índio. Anacondas rastejavam e onças-pretas mostravam suas presas. Uma vida lado a lado com o terror da malária e da febre amarela.

 Ali ele abandonou os utensílios da civilização e, confrontando a natureza, aguçou seu instinto de sobrevivência ao extremo. Porém o paraíso ideal mudou completamente com um assalto. Todos os equipamentos foram roubados, incluindo câmeras e equipamentos que eram como sua própria vida, além de fotografias preciosas que documentavam a natureza amazônica... Egoshi mudou o rumo para o Sul em busca de um "lugar seguro".


 Fundação da "Associação Chilena de Shogi" na Patagônia


 O próximo destino foi além da Cordilheira dos Andes, no Chile. Estabeleceu-se a 800 quilômetros ao sul da capital Santiago, na entrada da Patagônia, onde se estendem lagos glaciais. Lá, Egoshi exerceu plenamente suas habilidades.

 Seu sustento vinha da "arte tradicional japonesa de ajuste corporal" única que havia aprendido percorrendo mestres por todo o país junto com sua mãe, durante o processo de superação de ferimentos graves por ruptura de órgãos internos devido a um acidente de trânsito na infância. Utilizando shiatsu, seitai e reiki, curava os corpos das pessoas locais. Paralelamente, dedicava-se de corpo e alma à difusão do shogi.

 Criou um clube de shogi na universidade local e finalmente estabeleceu a Associação de Shogi de Chile. Tornando-se ele próprio o fundador, obteve residência permanente como o primeiro "professor de shogi" do Chile.

 Egoshi ri: "Economicamente sobrevivo com shiatsu, e obtive honra através do shogi".


Parte do site de apresentação pessoal
Parte do site de apresentação pessoal

 Recomeço em Santa Rosa, Sul do Brasil


 Porém o Chile não foi sua terra de residência permanente. Após buscar terras em outros países como a Bolívia, o que Egoshi escolheu há 8 anos como seu "último lar" foi a pequena cidade de Santa Rosa de Lima, com 2 mil habitantes, no estado de Santa Catarina, sul do Brasil. Esse local, com muitos imigrantes alemães e italianos e também fontes termais, é conhecido pelas iniciativas pioneiras em turismo rural.

 Egoshi agora está construindo com suas próprias mãos uma nova base, o Instituto Cultural Luz Infinita, nas montanhas com vista para uma cordilheira de mais de 1.800 metros de altitude. Empilhando adobe (tijolos de barro), em uma vida sem eletricidade, levanta às 4 da manhã para se banhar em cachoeiras. Sua figura lembra um "shugenja" (praticante de austeridades nas montanhas).

 Essa região tem uma história de colonização por muitos imigrantes alemães e italianos, sendo conhecida dentro do Brasil como um lugar pioneiro no "turismo rural (agroturismo)", onde se estende uma natureza rigorosa mas bela.

 Das selvas amazônicas passando pelas regiões glaciais da Patagônia, parece ser um lugar sereno e vigoroso, adequado como palco para concretizar o sonho de "comunidade autossuficiente" que ele nutre há 22 anos.

 "Não é para ganhar dinheiro. Quero encontrar 'camaradas' que compartilhem a mesma vontade". Embora tenha tentado comunidades em vários lugares, também teve a experiência amarga de companheiros não se estabelecerem. Por isso, desta vez levanta uma "grande causa" que consolida seus 30 anos de caminhada.

 As taxas de tratamento da "arte tradicional japonesa de ajuste corporal", que é seu sustento, não são baratas, mas começaram a ser conhecidas por alguns brasileiros, chegando até a ter clientes importantes como famílias de deputados federais. Atualmente, busca colaborações com instituições públicas como embaixada, consulado-geral e Japan House, tentando criar uma comunidade baseada na cultura japonesa.

 Contudo, sendo um lobo solitário sem relação com estratégias convencionais, sua vida não tem sido nada tranquila. Desde quando tentou criar a Federação Sul-Americana de Shogi tendo a Federação de Shogi em Chile como proponente, o relacionamento com a Associação Brasileira de Shogi não vai bem, continuando a buscar possibilidades de difusão do shogi com sua filosofia própria.


 Relato à mãe e "retorno glorioso à terra natal"


 Este ano marca 30 anos desde sua imigração ao Brasil. O retorno ao Japão planejado para este ano, após 11 anos, é também um "retorno glorioso à terra natal" para mostrar à sua mãe seus passos. Deseja entregar de forma tangível à mãe o fato de ter sido reconhecido na América do Sul e ter desenvolvido atividades dignas de aparecer nos jornais. "Talvez assim minha mãe no Japão, que não usa internet, fique um pouco mais tranquila". O olhar penetrante do competidor se suavizou por um instante numa expressão serena de um filho.

 Assim como as peças de shogi se tornam mais fortes ao "promover" quando entram no território inimigo, Egoshi também percorreu livremente o gigantesco tabuleiro do continente sul-americano, superou inúmeras dificuldades e se transformou em um "peão promovido" único.

 Devido à sua personalidade intensa demais, às vezes pode causar conflitos com o entorno. Mas, mesmo no Brasil, por mais acolhedor que seja, o ato de um estrangeiro continuar perseguindo o sonho grandioso de construir uma comunidade autossuficiente no interior certamente requer uma vontade firme e personalidade marcante que não podem ser medidas pelos padrões de pessoas comuns. A utopia que ele imagina ecoa nas profundas cordilheiras sul-americanas como um poderoso "movimento" contra a sociedade moderna que persegue apenas eficiência. (Masayuki Fukazawa)


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