Cerimônia de Utakai Hajime no Palácio Imperial: "Das crianças que conheci no Brasil e no Japão, desejo um futuro brilhante e felicidade" - Princesa Kako expressa seus sentimentos em relação ao país; Ex-embaixador Hayashi faz cumprimentos de retorno ao Japão
O evento tradicional de Ano Novo da corte, Utakai-hajime no Gi (Cerimônia de Poesia de Início do Ano), foi realizado na manhã do dia 13 no Palácio Imperial de Tóquio. O tema deste ano foi "Mei" (brilho/clareza). Enquanto os poemas waka compostos pelo Imperador, pela Imperatriz e pelos membros da família imperial foram recitados, a Princesa Kako atraiu atenção ao compor um poema tendo o Brasil como tema. O waka da Princesa Kako foi: 〈Brasil to Nihon de atta kodomo-ra no akarui mirai shiawase negau〉 (Das crianças que conheci no Brasil e no Japão, desejo um futuro brilhante e felicidade). Baseado nos intercâmbios com crianças de ambos os países que ela conheceu durante sua visita oficial ao Brasil em junho do ano passado, por ocasião do 130º ano das relações diplomáticas nipo-brasileiras, o olhar que conecta as duas terras, Japão e Brasil, está contido nos elegantes trinta e uma sílabas.
O ponto principal para apreciar este waka está primeiro na expressão paralela do início: "Brasil to Nihon de atta" (conheci no Brasil e no Japão). É impressionante a postura de colocar os dois países, geograficamente distantes, em pé de igualdade, sem dar peso maior a um ou outro. Embora os waka dos membros da família imperial frequentemente incluam eventos oficiais, é característico nesse poema que não a diplomacia ou instituições, mas a existência concreta das "crianças" seja colocada no centro.
Como resposta ao tema "Mei", enquanto usa a palavra direta "akarui mirai" (futuro brilhante), o fato de concluir suavemente com "shiawase negau" (desejo felicidade) revela a escolha de sensibilidade linguística da Princesa Kako. A grafia clássica "negau" produz o efeito de não colocar as emoções pessoais em primeiro plano, confiando silenciosamente ao leitor como uma oração.
Ao longo de todo o tanka, retóricas que enfatizam o aumento das emoções são evitadas, sendo mantida uma narrativa tranquila. Essa contenção faz com que o encontro com diferentes culturas não se torne uma experiência passageira, destacando a perspectiva que se conecta ao futuro. Pode-se dizer que a modernidade desse poema está no fato de que a experiência de intercâmbio no Brasil, incluindo a comunidade nikkei, cristalizou-se como a imagem das crianças, não como o termo abstrato de boa vontade internacional.
No Utakai-hajime deste ano, também se destacaram exemplos de jovens membros da família imperial compondo poemas com base em experiências no exterior. O Utakai-hajime como ritual tradicional é ao mesmo tempo a continuação da cultura cortesã que perdura há mais de mil anos e um lugar que reflete o espírito da época. O poema da Princesa Kako confiou encontros que transcendem fronteiras ao caractere "Mei", demonstrando silenciosamente que o tanka, forma clássica, continua sendo uma linguagem do tempo presente.
Além disso, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores, na tarde do mesmo dia, o ex-embaixador do Japão no Brasil Teiji Hayashi visitou Sua Alteza Imperial a Princesa Kako para cumprimentá-la em seu retorno ao país. Durante aproximadamente 30 minutos de conversa, em uma sala de recepção decorada com presentes comemorativos recebidos em várias partes do Brasil, a Princesa Kako expressou palavras de gratidão pela calorosa recepção que recebeu no Brasil.
Além disso, quando o ex-embaixador Hayashi agradeceu à Princesa Kako por ela ter composto um poema sobre o Brasil no Utakai-hajime no Gi, ela disse que "a visita ao Brasil foi uma memória preciosa e em dezembro do ano passado visitou o Centro de Intercâmbio Cultural de Imigrantes em Kobe, onde teve intercâmbio com crianças brasileiras residentes no Japão", mostrando fotografias. De fato, parece que as "crianças que conheci no Japão" mencionadas no waka se referem a esses filhos de brasileiros residentes no Japão.








