Com produtos meticulosamente elaborados, que conectam à cultura japonesa, o evento Mãos Japonesas é realizado em SP
A chuva constante e o tempo nublado sombrio foram dissipados pelo energia vibrante da cultura japonesa. No dia 8, no kaikan da Aliança Cultural Brasil-Japão, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, foi realizado o evento Mãos Japonesas, que reuniu artesãos da cultura japonesa. O evento foi organizado pelo Sinos na Floresta, dirigido por Shizuka Suzumori. O local contou com cerca de 10 expositores vendendo acessórios e outros itens, oficinas de caligrafia e língua japonesa e palcos participativos com taiko e dança de anime songs, atraindo muitos entusiastas e criando uma atmosfera vibrante.
"Existem muitas pessoas que criam pequenos objetos com dedicação ou aprimoram suas habilidades artísticas, mas os locais para apresentá-los são limitados. Então pensei: vamos nos reunir todos e dar forma a isso." Assim explica a representante Suzumori sobre o significado do evento. Foram expostos trabalhos artesanais que refletiam o cuidado dos autores, como roupas reformadas a partir de tecidos antigos de kimono com estilo moderno e acessórios criativos reutilizando tampas de garrafas PET.
Laura Yamasaki (25 anos, nissei), que usava um carro clássico colocado ao lado da entrada como mesa de exposição para apresentar suas obras de cerâmica e kintsugi, foi ao Japão há dois anos e estudou kintsugi durante três meses. "Ficava triste ao ver cerâmicas quebradas sendo jogadas fora. Com o kintsugi, uma nova vida nasce ali." Atualmente, com base em seu ateliê em Vila Madalena, dedica-se à divulgação dessa técnica ainda rara no Brasil.
Por outro lado, Tsukasa Kaito (78 anos, província de Yamagata), residente em Taubaté, demonstrou a obsessão de um artesão. Neste ano começou seriamente a vender shamisens feitos por ele mesmo. Kaito é um especialista em processamento de madeira que veio ao Brasil como "imigrante industrial". Mesmo assim, a fabricação de shamisens não foi simples.
"O trabalho de unir superfícies curvas é extremamente difícil. Levei seis anos apenas para conseguir as ferramentas necessárias." Usando apenas materiais brasileiros, exceto pelas cordas, após mais de 10 anos de tentativas e erros, conseguiu reproduzir o "zumbido" satisfatório. "O violão é para tocar acordes, mas o shamisen consiste em tocar uma corda e fazer as outras duas ressoarem. Esse equilíbrio é profundo", explica Kaito com entusiasmo.
Para tocar nesses cristais de paixão, vieram ao evento pessoas de fora da comunidade nikkei. Edgard Makdisse (75 anos), que tem parentes nikkeis, observava as peças expostas com interesse, dizendo: "Sempre ouço conversas sobre a cultura japonesa em casa e naturalmente desenvolvi interesse".
O som do shamisen que envolve o ruído da chuva e as mãos calorosas dos artesãos. A cultura japonesa que atravessou os mares está ganhando nova vida na terra brasileira.









