Ensaio de Expatriados - 6 - Apoiado por muitas "pessoas", por Ryoji Moriyama, da Fujiarte do Brasil
Eu me mudei para o Brasil em abril de 1998. Sou casado e tenho um filho. Trabalho como representante da filial brasileira da Fujiarte Ltda., cuja sede fica em Osaka. Nossa empresa atua no setor de serviços de recursos humanos e no Brasil realizamos a intermediação de profissionais para empresas nipo-brasileiras, além de entrevistas e obtenção de vistos para candidatos que desejam trabalhar no Japão.
Bem, sobre o motivo pelo qual vim para o Brasil. Por volta de 1992, trabalhava em uma fábrica em Nagoya onde cerca de 80 nipo-brasileiros estavam empregados. Aos finais de semana, jogava futebol e vôlei com eles, e naturalmente meu convívio com os brasileiros se tornou mais frequente do que com os japoneses. Comecei a namorar uma nissei de terceira geração que conheci no mesmo local de trabalho e me casei com ela. Após o casamento, solicitei o visto permanente e, após cerca de 10 meses de espera, consegui vir para o Brasil.
Na época, eu praticamente não falava português, e minha esposa sempre me servia de intérprete. Há algo que nunca esqueci: quando fui sozinho comprar pão. Pensei ter dito três (três), mas o vendedor colocou 10 pães (dez) no saco. Porém não consegui falar nada e levei os 10 pães para casa. Quando minha esposa perguntou "por que você comprou 10 pães?", respondi "pensei ter dito 3, mas deve ter soado como 10", e nós dois rimos juntos.
Meu primeiro emprego no Brasil
Após cerca de 3 anos vivendo no Brasil, quando comecei a entender português, um parente me informou que uma agência de intermediação para candidatos ao trabalho no Japão estava procurando alguém que falasse japonês. Me candidatei e fui contratado.
O trabalho consistia em preparar documentos para obtenção de vistos e traduzir do português para o japonês. Trabalhava com a sensação de estar estudando português enquanto recebia salário.
O encontro com a Fujiarte
Alguns anos depois, o presidente da agência onde eu trabalhava me pediu para atender uma empresa de trabalho temporário chamada Fujiarte. Passei a ser responsável não apenas pelos documentos de visto, mas também pelas entrevistas e explicações sobre as condições de trabalho. Como as explicações eram em português, na época eu não conseguia explicar bem o conteúdo do trabalho devido à minha pronúncia ruim, e me sentia paralisado pela barreira do idioma.
Porém, com o encorajamento dos colegas e cantando hinos em português no grupo de coros da igreja, minha pronúncia melhorou e consegui continuar. Mas, devido à crise financeira de 2008, a empresa foi fechada e fui demitido.
O primeiro sofrimento da minha vida - o amor da minha esposa
Após a demissão, comecei a trabalhar na empresa administrada pela família da minha esposa. O tratamento era: sem salário, apenas pagavam nossa alimentação e contas de luz. Fiquei muito triste por ter chegado a essa situação e até pensei em ir trabalhar no Japão, mas aguentei. Olhando para trás, nesse período eu às vezes tratei minha esposa com dureza, e creio que ela foi quem mais sofreu. Sou muito grato por ela não ter reclamado e ter me tratado com gentileza.
O reencontro com a Fujiarte
Em janeiro de 2011, recebi uma ligação de um funcionário da Fujiarte do Brasil convidando-me para uma entrevista, pois iam iniciar um novo negócio. Achei que era uma boa oportunidade e imediatamente me arrumei e fui à entrevista.
Como eram pessoas que eu conhecia desde 2004, a conversa fluiu muito bem, e entrei na empresa em fevereiro de 2011 como gerente de vendas. O reencontro com o presidente Hirao encheu meu coração de alegria. Meu papel era visitar empresas nipo-brasileiras no Brasil e oferecer serviços de intermediação de profissionais de acordo com as necessidades das empresas. Em 2014, houve uma mudança na estrutura interna da empresa e me tornei presidente, cargo que ocupo até hoje.
Logo quando comecei a trabalhar, participei de reuniões de estudo da Seiwajuku sobre a filosofia Inamori. Aprendi uma filosofia que nunca havia estudado antes e senti como se minha visão tivesse se expandido.
Na empresa temos um manual de filosofia (versão em japonês e em português), que se tornou um guia para resolver problemas, tomar decisões e quando estou em dificuldades.
Reflexões sobre 27 anos de vida no Brasil
O fato de eu, que mal conseguia falar o idioma, estar vivo até hoje, deve-se primeiramente à misericórdia de Deus, mas também ao apoio de muitas "pessoas".
Daqui em diante, quero continuar vivendo valorizando os encontros com pessoas como "tesouros" preciosos.
※Estamos recrutando ensaios com tema de experiências no exterior, principalmente de pessoas que estão trabalhando na América do Sul, incluindo aqueles que imigraram e estão envolvidos na gestão de empresas locais. Por favor, compartilhem conosco coisas que perceberam sobre o Japão ou o país local após assumirem o cargo, experiências que gostariam de compartilhar com todos ao redor, conteúdos que gostariam de transmitir para conhecidos no Japão. Para mais detalhes, entrem em contato com a redação (contatojp@brasilnippou.com, assunto "Ensaio de Expatriados").








