Encontrando mulheres da imigração da Amazônia (7, final) Tomé-Açu: Sra. Haru Takahashi, 104 anos, superando a morte do marido
"Que vida ocupada!" Haru Takahashi (104 anos), que vive em Belém, reflete com um sorriso radiante. Em 1930, aos 9 anos de idade, ela pisou no chão de Tomé-Açu junto com sua família, vinda de Yamagata. Desde então, por quase um século, seus passos foram profundamente gravados na terra brasileira.
No início da colonização, uma realidade cruel aguardava a família. A agricultura com a qual não estavam familiarizados mostrou-se difícil, e, como se não bastasse, foram acometidos pela malária. A família, em extrema pobreza, decidiu partir para São Paulo com esperança de recomeçar. Durante os cinco anos seguintes, trabalharam incansavelmente e pouparam dinheiro para a mudança.
Quando finalmente conseguiram se estabelecer, deixaram para trás até mesmo os móveis queridos e fugiram para a nova terra com pensamentos de oração. Em São Paulo, para onde se mudaram, o pai cultivava algodão e a mãe, vegetais, sustentando a família cobertos de lama.
Em meio a esses dias de luta árdua, Haru reencontrou Shinsaku, a quem conhecia desde os tempos de Tomé-Açu, e selaram o compromisso matrimonial. Tendo quatro filhos, em meio à felicidade, a família escolheu novamente cultivar a terra de Tomé-Açu pelo forte desejo de Shinsaku. Porém Tomé-Açú da época não tinha ambiente educacional adequado, e foram obrigados a deixar duas das crianças pequenas em São Paulo. Com a separação "que foi como ter o corpo cortado" no coração, retornaram novamente à terra do norte.
Justamente nessa época, havia começado a construção da segunda Tomé-Açu pela JAMIC (Japan Migration and Colonization). A família embarcou nessa onda de desenvolvimento e plantou mudas de pimenta-do-reino depositando suas esperanças. Porém mais uma vez a provação atacou Haru. Perdeu seu amado marido Shinsaku em um acidente inesperado.
Em meio ao profundo sentimento de perda, Haru não parou. Tomou a decisão de assumir sozinha a vasta fazenda. Júlia, filha que compartilhou aqueles tempos, relembra os dias em que observava as costas da mãe: "Nós que ficamos só tínhamos uma determinação: simplesmente fazer o que tinha que ser feito. Como foi valioso o apoio espiritual da JAMIC".
No final dos anos 1970, adotou o sistema agroflorestal que imita o ecossistema natural e tentou o cultivo de cacau. Sua paixão deu frutos, e o cacau colhido chegou a ser adotado pela marca de chocolate Cacau Show, uma das principais do país.
Atualmente, o filho mais velho, Jorge, protege a fazenda construída pela mãe. "Criar filhos e fazer agricultura, carregar tudo sozinha foi realmente um caminho íngreme. Mas agora estou muito feliz." Nas palavras de Haru, que superou as dificuldades, estavam repletas de orgulho de quem viveu junto com a terra e de profundo carinho pela família. (Fim, repórter Rina Shimada)








